sábado, 26 de novembro de 2016

Minha Prisão

Abro os olhos, não sei onde estou
As luzes piscam lentamente
Acendem e se apagam num ritmo constante
Olho ao redor, algumas caixas, gavetas
Uma das caixas em letras garrafais dizia
"SEMPRE COMIGO"
Abri.
Fotos, sorrisos, momentos.
Pessoas que amo eternizadas em fotografias jamais tiradas
Mas me recordo bem daqueles momentos
Essas cenas, sob essa luz, me alegram e me deprimem
Há uns textos aqui numa caixa bagunçada
Me lembro de alguns, da maioria, não
Manchetes, matérias de jornais e revistas,
Posts do Facebook, que engraçado...
Mas nada muito importante
Nada muito interessante
Levanto os olhos e vejo uma porta
Cuidadosa e curiosa, vou até ela
Abro lentamente enquanto as luzes piscam mais rápido
Estou apreensiva, não há como negar
Vejo escadas e pondero se devo ou não descê-las
Olho para trás procurando outra saída
Não há.
Respiro fundo e percebo o ritmo das luzes voltando a acalmar
Desço degrau a degrau, me apoio nas paredes quentes e úmidas
Ouço a porta bater atrás de mim em um baque surdo
A minha frente, uma nova sala
Paredes escuras, cheiro de...
Sangue?
Caixas e mais caixas empilhadas e bagunçadas
Papéis e fotos espalhados
E esse cheiro de sangue
As luzes voltam a piscar freneticamente
As imagens ali me amedrontam
Onde estou?
Vou cada vez mais fundo nesta sala que parece sem fim
DOR, MEDO, ANGÚSTIA, AFLIÇÃO, OPRESSÃO,
Dizem as caixas.
Meu deus, que lugar é esse?
SOCORRO! Grito a plenos pulmões
Nada audível sai de mim
Mas um tremor rompe o lugar no mesmo instante
E caixas, textos e imagens se espalham pelo chão
Não pude não ver
Cada foto, cada coisa ali
Coisas que vivi e que não queria reviver
Revivo.
Revivo sem entender
Como um lugar pode ter tanto de mim?
Como alguém pode coletar tanto?
Como alguém poderia saber de todas estas aterrorizantes coisas?
Tenho certeza que as guardei só para mim!
Torno a buscar uma saída
As luzes me enjoam neste piscar constante
Estou presa!
Não há saída!
Feridas começam a surgir sobre todo o meu corpo
Todas essas informações parecem tão expostas agora
Toda esta dor... todas estas lembranças...
Tento me acalmar e não consigo
As batidas do meu coração continuam aceleradas
As luzes piscando no mesmo ritmo...
Espera.
Como não percebi isso antes?
Percebo o lugar mais uma vez
Percebo que lugar é este.
Percebo onde estou.
Dentro de mim
Minha prisão
Prisão que eu criei
Prisão que é só minha
Carcereira, cárcere e detenta: eu.



Por Fabi Emerick

sábado, 8 de novembro de 2014

Ainda Há Luz Lá Fora

O mundo foi dormir e eu aqui, acordada
Lá fora, a luz acesa, aqui dentro, escuridão
A solidão que me invade e me venda os olhos
O sentimento de incapacidade me domina
Nada me tira daqui.
Eu não consigo.
Eu não posso.
Não sou nada disso.
Como eu posso levantar se minhas mãos estão acorrentadas ao chão?
Meus pulsos feridos provam o quanto tentei me libertar.
Lutei!
Lutei?
As feridas mostram que sim
Mas eu, eu digo que não.
Como cheguei a isso?
A caminhada, dizem, é longa.
Eu caminhei.
Acho que me perdi
Veja meus pés!
Em carne viva.
Parei.
Agora me encontro aqui
Você tenta me libertar
Eu tento também
Mas os grilhões estão fora do nosso alcance.
Penso em uma saída...
Já dizia o ditado, não há caminho fácil que seja melhor que a estrada que passa pela dor
Se quebrar... Se eu quebrar
Talvez seja necessário
As mãos impedem as algemas de sair
Então me quebrem as mãos!
Deixa doer, se o fim valer a pena
Se me liberto, enfim poderei caminhar em paz
Porque, em algum lugar, eu sei
Ainda há luz lá fora...


By Fabi Emmerich

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Seu Abraço, Minha Paz

Eu estava ali, precisando de um abraço. Você me abraçou e dormiu. Ouvindo você respirar, sentindo o calor do seu corpo, eu estava presa na maior liberdade da minha vida, que é estar com você. O lugar mais confortável e tranquilo do mundo, me faz perceber o quanto eu amo você. Este lugar, que é o meu lugar, me faz escrever, me faz amar ainda mais, me faz refletir, me faz planejar, me faz sonhar. É quando eu estou com você, enquanto o mundo dorme e a noite torna o mundo quieto, que eu posso me perder nos pensamentos e em nosso amor e nada mais importa para mim: não há problemas, não há barreiras, não há medos e não há dor. Só há eu e você, e somos um. Ouvir você acordar no meio do sono e sussurrar "meu amor" ou "eu te amo" e voltar a dormir mesmo antes de uma resposta minha, é como caminhar pelas nuvens e ouvir o canto dos anjos: é tudo o que eu preciso para deixar em paz meus pensamentos e emoções. Você é tudo o que eu preciso e é em você que eu quero sempre estar.

Ao meu sonho de amor,
Eduardo Costa,
Da sua,
E, para sempre sua,
~ Fabi Emmerich ~

sexta-feira, 28 de março de 2014

A Dança das Cores na Natureza - Prenúncio de Vida

"Se choras por haver perdido o sol, nunca verás as estrelas."
     Quisera eu, poder registrar toda a beleza que eu extraio ao olhar a natureza. Cenas únicas de um cenário tão mutável quanto a vida. O que é natural inspira vida até nas simples cores que se apresentam harmoniosas. Até o cinza que encontramos na natureza possui uma vibração que nos remete à vida, à beleza e a uma simplicidade indescritível.

     Acho incrível e um dos piores hábitos daqueles que vivem em metrópoles e grandes cidades: caminhar olhando para o chão. Não é de se espantar que os índices de depressão tenham aumentado tanto nas últimas décadas. As pessoas vivem olhando para o asfalto, com um cinza sem vida e sem esperança, e é este o tipo de energia com que inundam a mente, sem perceber.

    Hoje estava presa em um engarrafamento sobre a Baía de Guanabara, olhando através da janela do ônibus, me recordei de um pensamento que levo sempre comigo: não importa o quanto o homem afete a natureza, alterando-a ou tentando destruí-la, ela é suprema. Através da janela, um local que o homem prejudicou imensuravelmente. Mas também havia ali um cenário lindo e encantador. 

     O que eu vi? As águas escuras, paradas, alguns barquinhos de madeira espalhados, ancorados e vazios. Nas margens, o verde de algumas árvores e a cidade começando a surgir. Acima, uma mescla do azul claro insistindo em marcar presença e dividindo o céu com muitas nuvens. O sol, que brilhava tímido, atingia algumas nuvens que cintilavam um branco resplandecente. Outras nuvens, em várias tonalidades de cinza, salpicavam o céu em uma harmonia que eu só poderia chamar de celestial (o que me faz compreender o sentido sublime da palavra). Algumas aves transpassaram o céu, anunciando a vida ali presente.

     A cena descrita aqui está presente ali, para qualquer olhar mais atento, em busca da paz que a natureza fornece e que o ser humano tenta destruir a todo o custo. Um pouco mais tarde, eu caminhava nas ruas do centro do Rio de Janeiro. Prédios ao meu redor, cinza sem vida no chão, e eu olhando para além, de forma que pudesse ver o céu. Meus olhos encontraram aquilo que buscavam (e buscam sempre): a beleza acalentadora do natural. Vi o céu azul, com nuvens que mais pareciam algodão doce em tons de salmão e rosa-bebê, anunciando que o sol estava se pondo e que não tardaria muito, o azul do céu tornaria-se escuro e milhares de pontos brancos, brilhariam acima de nossas cabeças, tão longe e tão imponente.

     Com tanta beleza ao redor, o que impede você de respirar e sentir a fagulha do divino nestas coisas tão simples e disponíveis? Havia falado anteriormente sobre o cinza da natureza, que ele possui uma vibração de vida. Sabe aquele céu coberto por um tapete de nuvens cinzas? Aquele céu que é prenúncio de chuva. Como não dizer que ele é vida se trará a água que simboliza a purificação, a limpeza, a restituição do imundo em límpido. Talvez sejam só meus olhos, mas após uma chuva, vejo tudo com um brilho tão especial. Dizem que a chuva é símbolo de tristeza, mas também a vejo como algo puro. Se vier me dizer que ela causa tragédias, gostaria de dizer que em grande parte, é o toque do ser humano avassalando com a natureza que causa isso. Se, até o cinza do céu pode proporcionar aos nossos olhos a beleza da vida, porque ignorar tanto a natureza? Se ela pode ser fonte de energia, de inspiração, de vida, de paz, de tantas coisas que necessitamos, por que a destruímos?

     Se não concorda comigo, comece a fazer o teste: ao invés de andar olhando para o chão, busque olhar um pouco mais para o alto e ver o céu. Comece a apreciar a natureza, o desenho das nuvens, no céu, a vida que uma simples árvore pode dar a um lugar de puro cinza como uma avenida. Entenda o porquê de a cor azul representar tranquilidade e a cor verde, esperança, olhando-as na natureza. Tudo está ali, ao alcance dos olhos que buscam. Está estressado, angustiado, inquieto, triste? Olhe para o céu. Olhe para o mar. Olhe para as árvores. Veja os pássaros. Respire isso e encha-se de vida.

~> Fabi Emerick <~

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Viver a Vida

"Se amanhã não for nada disso, caberá só a mim, esquecer!"
Quando paramos para prestar atenção, percebemos que a vida é feita de momentos. Que nós não somos, nós estamos algo. Que tudo passa, seja a dor, a tristeza, o rancor ou a alegria, a paz e o sorriso. Lágrimas secam, pessoas vem e vão. É tudo tão passageiro que, quando nos damos conta, já foi.

Olhando por este lado, notamos que a palavra chave da vida é "Aproveitar". Aproveitar cada momento, cada dor e cada riso como se fosse o último. Na vida, há momentos para tudo e a dor também é saudável, desde que tiremos lições dela. O problema mesmo, ocorre quando você fecha os olhos para viver bons momentos e deixa escapar as possibilidades de ser verdadeiramente feliz. É inevitável que sejamos feridos pela vida, por várias vezes ao longo da mesma. Mas, na verdade, nós somos capazes de decidir o quão duradoura será o sofrimento da dor. 

Assim sendo, eu aprecio ser intensa. Viver no limite da dor e do êxtase. Me julgue por aproveitar a minha dor, mas sem ela, eu não conseguiria aproveitar minhas alegrias com intensidade nem descobrir como é a verdadeira felicidade. 

Demorei para aprender, mas descobrir que a vida é feita de agora fez toda a diferença do mundo na minha. E é por isso que eu resolvi sair de dentro de casa e viver. Amanhã eu posso não estar rodeada pelos mesmos amigos, coisas da vida, por isso, preciso aproveitar cada tempo que posso ter com eles como se fosse o último, e se houver um próximo, bem, será uma lembrança gostosa a ser guardada. 

Gosto de estar feliz, de rir até chorar e minhas bochechas e barriga doerem. É por isso que eu quero viver a vida. Deixei a minha passar por tanto tempo, trancada entre quatro paredes e hoje eu vejo "que desperdício!", ainda bem que abri os olhos enquanto ainda respiro.

~> Fabi Emerick <~


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O Ciclo da Vida

A vida vem sempre cheia de altos e baixos. 

Às vezes, achamos que temos todas as respostas e ficamos felizes com isso. Geralmente, são nestas alturas que temos a impressão de que temos a vida definida, futuro, projetos... podemos quase nos enxergar daqui a 10 ou 20 anos. Mas aí, a vida é cíclica, falo isso sempre. 

Ela fica dando voltas e mais voltas, e se temos todas as respostas em algum momento, damos mais um passo, coisas inesperadas acontecem e perguntas novas começam a surgir, mas ao invés de encontrarmos novas respostas, parece que só encontramos perguntas e mais perguntas. Algumas destas perguntas, até, em algum momento, chegamos a achar que já tivemos a resposta, mas elas voltam como se nunca tivessem sido respondidas "De onde vim? Para onde vou? Por que estou aqui? Quem sou eu?". Em meio a perguntas existenciais, acabamos perdidos e tudo o que planejamos em algum momento, muda de rumo. Parece que não sabemos nem o que será de amanhã, quanto mais como será daqui a 10 anos. Parece que não saber, não ter o controle, nos desespera ainda mais na busca por resposta. 


Algumas pessoas chegam ao fundo do poço enquanto tentam mas continuam tentando, outras desistem de vez. As que continuam tentando, arrumam uma ou outra resposta, aos poucos. Vão se enchendo de certezas em um ponto mais adiante. Descobrem novos motivos, se replanejam, enfim... voltam ao ponto do início do texto. 

Como eu disse no começo, tudo porque a vida é cíclica. Sempre há soluções mesmo quando não podemos enxergar mais nada. Mas também, sempre haverão perguntas. Cabe a nós desistir ou continuar tentando, porque, às vezes, a nossa existência dependa de tentar entender o que fazer da vida e entender a vida em si e, talvez, a nossa existência dependa de buscar sempre respostas. Afinal, se já tivéssemos todas as respostas, que graça teria viver?

~> By Fabi Emerick <~

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Relacionamentos

É assim, o tempo passa, o mundo dá voltas, a vida muda o tempo todo. Na maioria das vezes, para seguir em frente, é preciso aprender a perdoar, aceitar defeitos e aceitar que mesmo as pessoas que menos esperamos que errem, acabem por errar.

Partir destes princípios pode nos fazer levar uma vida melhor, com menos decepções. Afinal, decepções são causadas por expectativas que nós  criamos em cima de outras pessoas.


Para lidar com o nosso próximo, necessitamos ser flexíveis. Entender que, às vezes, precisamos engolir o orgulho, nos resignar mesmo quando achamos ou temos certeza de que temos razão, pelo bem do convívio com nossos pares. 

Alguns relacionamentos são intensos em todos os sentidos. Mas nem a melhor amizade é imune aos erros que todos, inclusive eu e você, podemos cometer. Mesmo nas melhores amizades, onde se cria uma dependência pelo outro, há também a necessidade de espaço, de aceitar que, em algum momento, o outro pode não querer conversar e pode preferir desabafar com outra pessoa. 

Também é preciso entender que perder a confiança NÃO é o fim do mundo. Que ela sempre pode ser reconstruída. Afinal, se alguém é importante para você, por que não buscar reconstruir? Só por que seu ego é grande demais para você reprimir o orgulho pelo que pode valer a pena?

Só tome cuidado para não correr atrás sozinho, ser o único a abrir mão, ser o único a fazer as coisas pelo relacionamento. Isso pode indicar que você é o único que se importa também.

No fim das contas, um relacionamento envolve um ceder mais do que impor, de cada uma das partes, caso contrário ele deixa de existir. 

~> By Fabi Emerick <~

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Tua Fuga

Olho dentro de seus olhos
Tudo o que vejo, escuridão
O negro de tuas pupilas se fundem ao negro de tua íris
Mas tanto negro não esconde o vazio de tua alma

Ao que parece, teus olhos buscam sem cessar
Para sorrir, alguma razão
Teus lábios até o fazem, mas teus olhos demonstram tristeza

As pessoas te veem como exemplo de força e alegria
Tu evitas olhar no espelho, 
Desvias o olhar de teus próprios olhos
Tu percebes que adorarias ser como a máscara que usas para te defenderes
Ao mesmo tempo, tudo o que querias,
Percebo bem
É estar diante de alguém sem um disfarce

Buscas alguém em quem confiar e apoiar
Ao passo que tentas, o mundo, controlar
Quanto tempo terá que se passar
Até que tu percebas que não podes controlar tudo
Quanto, até que percebas que
Se és infeliz, é porque não admites tuas fraquezas?
E tentar manter-te no controle só te destrói
Não percebes?
Que passará contigo, quando descobrires
Que as coisas são como são e não como queres?

Até quando vais fugir do que tu não controlas?
Até quando fugirás das pessoas que não jogam teu jogo?
Foges quando encontras pessoas que tem força de verdade
Foges de tudo o que foge de ti
Foges de todos que percebem que tu não és tão forte como queres parecer.
No fim das contas, tiveste a opção de ser feliz
De mostrar tua alma e de confiar
Mas escolheste fugir
E fugiste de mim!

By Fabi Emerick 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Duas Faces de Mim


Sou uma criança, só mais uma daquelas pessoas que cresceram mas tem a alma como tal. Sou só uma criança que ri de tudo, gosta de brincar de cavalinho e pique-pega, fazer piada dos assuntos mais sérios pra descontrair ou mesmo para fugir deles.. Sou só uma criança que acha que todos tem seu lado bom e todos são bonzinhos e confia em todos, mesmo à primeira vista. Sou só aquela criança que, numa hora te enche de carinhos e até te surpreende, e em outra hora está quieta, focada, brincando com os próprios brinquedos e não quer ser interrompida (Não, essa não é a hora de carinho, mas se você me disser que me ama e me mandar beijo eu vou retribuir). Sabe aquela criança que fala o que vem à cabeça? Sabe aquela criança super sincera que ainda não descobriu a malícia do mundo? Você pode não acreditar, se quiser, mas eu sou assim, muitas vezes. Sabe aquele abraço consolador, que só criança sabe dar? Pois, você irá encontrar em mim, caso queira. Sabe aquela criança que ganha um parabéns e os olhos brilham? Essa sou eu. Sabe aquela criança que acredita em príncipes e princesas e acredita em fadas e duendes? Opa, tô aqui!

Quer saber mais? Sabe aquela pessoa mais velha, cheia de experiência de vida, que conversa e dá bons conselhos. Cara, exceto pelas experiências que não tenho tantas, eu sou capaz disso. Sabe aquela pessoa que você desabafa e ela está ali, te ouvindo com toda a atenção? Pois, parece-se comigo. Sabe aquela pessoa que é capaz de conversar sobre política, religião e o que for, e se não tiver algum conhecimento, se mostra interessada em aprender? Cara, é assim mesmo que sou.

Consigo ser as duas coisas e ser eu mesma, porque faz parte de mim. Ingênua e maliciosa, Forte e fraca, criança e adulta, protegida e protetora. Tem dia que eu me sinto tão equilibrada com estas duas versões de mim... São a Fabi e a Ana juntas... O encontro de ambas que me faz ser Fabiana. Só não esqueça-se que, acima da criança e acima da adulta, tem a mulher que busca ser feliz a cada respiração.




By Fabi Emerick

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Ler E Escrever

Eu gosto de ler, porque os livros me tiram do mundo real e me transportam para um mundo só dele, só meu. Eu gosto de escrever, porque escrevendo eu tiro o mundo de dentro de mim, com todo o seu peso, suas dores e aflições.
Lendo e escrevendo eu me sinto leve e em paz. Lendo e escrevendo eu vejo luz e sou capaz de ver o bem e a beleza das coisas e pessoas ao meu redor, porque o mal sai de mim e eu fico em equilíbrio para sentir as coisas como são e ser exatamente como eu sou. Ainda tenho esperanças neste mundo perdido, porque sou capaz de sair dele, mesmo que por instantes.

Fabi Emerick

Dor, Raiva, Amor

Dói ser forte, dói lutar contra tudo aquilo que você ama. Dói ver a transformação ou revelação das pessoas, ver no que elas se tornaram. Dói ver que em tudo o que mais se confiou tornou-se cacos. Dói tanto que me irrita e, se eu pudesse, te bateria. Bateria até minha raiva passar e, em cada batida, torrentes de lágrimas. Bateria, para depois desabar em seus braços e tudo ficar bem. Bateria, tentando ver se esse coração, outrora tão quente e hoje tão frio, voltaria a se aquecer e a bater por mim. Bateria, para ver se poderia te acordar deste estado que eu nunca te vi estar. Bateria para tentar te fazer entender que não sou seu brinquedo, que você não pode me usar. Bateria, e bateria, e bateria, e pararia minhas mãos em seu peito, e deslizaria-a para suas costas até que elas se encontrassem, e então te abraçaria, e deixaria sua camisa molhada pelas minhas lágrimas, e te olharia nos olhos, e te beijaria, e como nos contos de fadas, depois do beijo, viria o "felizes para sempre". Mas eu não posso te bater e você não vai mudar porque eu quero que mude. Você também não vai responder a estas perguntas que eu trago comigo e vai continuar achando que sou propriedade sua. E, no fim das contas, é melhor seguir assim, sozinha, com você tão dentro e tão fora de mim. Porque o homem que eu carrego aqui dentro, definitivamente, não é o homem que eu vejo hoje aqui fora. Então, não importa, poder te ter ou não, só me importa poder continuar a viver.


Por Fabi Emerick.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Deusas Palavras


Quanto mais escrevo, mais tenho amor às palavras.
Elas me extasiam, traduzem meus sentimentos
São dedicadas a mim e eu a elas

Simples, ao passo que complexas
Levam ao mais profundo do ser
Fazem navegar por belas paisagens
E pela ausência do belo
Transportam ao imaginário
Lançam a realidade

Palavras são vida, são força
Palavras são calor e graça
São flecha e espada
Capazes de atingir lugares inimagináveis
Imploram por serem expostas

Notável fascínio me despertam
Como deusas de um mundo complexo e imperfeito
Costuram os paradoxos

Palavras, base da sociedade
Fixas e mutáveis
Expressam a realeza
De gestos, ações e sentimentos
Palavras, mentiras e verdades
Esquecidas ou cravadas no tempo
Palavras, por elas nosso eu descrito
Por elas, alçando voo ao infinito.

by ŦคЪเ єммєяเcђ

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Este Meu Jeito de Viver

Todo mundo tem direito a errar. Todo mundo tem direito a perdão. Todos tem o direito de viver guardando mágoas, ou de viver deixando as mágoas para trás. Cada um tem o direito de ser rancoroso se quiser. Cada um escolhe seu estilo de vida.
No meu estilo de vida, eu prefiro perdoar erros. Viver sem raiva, não guardar rancor. Prefiro sofrer mil vezes e perdoar mil e uma vezes aquelas pessoas que eu amo. Os erros que cometem comigo podem me afastar de pessoas. Mas se eu tiver que continuar próxima a elas, não as lembrarei de seus erros a cada instante, não olharei para elas pensando se vão me ferir novamente. Também não vou me afastar de outras pessoas, só porque algumas me fizeram sofrer. Todas as pessoas são dignas de confiança até que elas provem o contrário, me disse um amigo certa vez. Mas eu prefiro continuar confiando. Uma vida sem confiança é uma vida tão vaga, na minha opinião, que prefiro sofrer várias vezes a não arriscar ser feliz por alguns instantes.

~♥ ŦคЪเ єммєяเcђ ♥~

Ambiguidade

E estes conflitos internos, quando acabam?
Dois caminhos, qual escolher?
Vou contra a opinião de todos?
Vou contra a minha opinião?
Mas qual será minha opinião?
Posso ter mais de uma?
Elas podem ser divergentes?
Mesmo se não puder, eu tenho certezas incertas, dúvidas certas, vontades mutáveis.
A dúvida persegue meus passos.
Vejo vantagens aqui e vantagens ali.
Vejo alegrias aqui e também ali.
Também, em cada um dos caminhos há dores.
A vereda mais segura, chego a conclusão de que inexiste.
Hoje posso achar que o melhor é seguir pela estrada da direita, amanhã, que a da esquerda é o melhor.
De qualquer forma, eu vejo apenas o começo do trajeto,
Aposto que adiante encontrarei curvas sinuosas, e muito mais bifurcações em ambos.
Talvez até haja um atalho para o outro trajeto, lá pelo meio de ambos os caminhos.
E eu continuo parada, nem para frente, nem para trás, porque esta é a hora de tomar decisão.
Olho para os lados, busco uma alternativa mais fácil que a radicalidade.
Uma terceira opção, por enquanto, não encontro.
Mas será que não ficarei mais confusa com mais opções?
Até quando parada?
Até onde caminhar?
Sei que no princípio é fácil pular entre um trajeto e outro, já que ambos são quase paralelos ali.
Mas também sei que, logo adiante, ambos seguirão direções opostas.
Então vou seguindo em frente, dia sim, dia não, indo e vindo de ambos os caminhos,
Tentando descobrir qual estrada será melhor.
Ou se há um meio termo, em meio às duas opções.
Sei que, não importa por onde eu for, serei capaz de ser feliz.
Só o que vai mudar é a razão da minha felicidade.
Então, o que fazer?
Quem ser?
Como viver?
Por onde andar?
A única certeza que tenho é
Não importa a direção que vou tomar
A única que me é impedida é a de voltar
E retomar o caminho por onde vim.


~♥ ŦคЪเ єммєяเcђ ♥~

sábado, 5 de janeiro de 2013

Liberdade, Abre As Asas Sobre Nós

Infelizmente, poucas pessoas lerão, não é algo que interesse, afinal as eleições já passaram. Infelizmente, o que escrevi foi um desabafo inútil. Mas desabafei.

A Liberdade de Expressão, conquistada há algumas décadas, possibilitou acesso à informação sem filtros. Porém, fez com que os que nasceram/cresceram nesta era informatizada, sucumbissem ao comodismo, transformando o Brasil em um país onde os jovens não sabem pensar, são robôs do sistema, acomodados, conformados e ignorantes.
Enquanto os jovens acham que um milhão de compartilhamentos de imagens críticas ao governo e afins são a voz da revolta e que vai fazer com que mude algo lá em cima, os políticos riem da nossa cara e, ao invés de investirem em educação, transporte, segurança, etc, investem em Inclusão digital, internet para todos, etc.
Então, você aí, jovem, que desconhece as mais banais regras gramaticais, escreve você com ç e nem sabe para que as vírgulas servem, continua se afundando atrás do computador, jogando e batendo papo, se esquecendo de acessar a toda a informação que tem nas mãos (literalmente), e continua a crescer, alienado e sem voz. Aquela liberdade de expressão que nossos pais e até avós de alguns, um dia conquistaram só nos gerou alienação e ignorância.
No fim das contas, você, alienadinho que acha que sabe, que compartilha imagens achando que vai resolver alguma coisa nesse país, continua sendo mais um bonequinho nas mãos do governo, continua sendo manipulado e nem se dá conta. Passeata para lutar pelos direitos para que, não é? Continuar atrás do computador fazendo nada é mais confortável. Ler jornal para que, não é? "Aprender" olhando as imagens de páginas do Facebook é mais interessante e divertido. Estudar para que, não é? O tempo que tem que ficar na escola já é mais que suficiente para você.
Os antigos já diziam "A voz do povo é a voz de Deus". Sinceramente, eu nunca entendi este ditado como entendo agora. Os corruptos que colocamos para nos representar no governo, só temerão o povo, quando ouvirem sua voz GRITANDO, exigindo mudanças. Ah! Seria uma surpresa e tanto, milhões de jovens cariocas fechando a Av. Presidente Vargas e ao mesmo tempo milhões de jovens paulistas FECHANDO a Av. Paulista. O Mesmo evento gigante ocorrendo em Brasilia, Curitiba, Belo Horizonte e demais capitais. Nossos governantes tomariam um susto! Seria lindo de se ver!
Sabe o mais triste? Com nosso querido facebook, isto seria possível. Porém, os jovens continuam aceitando o lixo que recebem na escola, estão felizes com a alienação cultural. Estão informatizados e mal informados. E no fim das contas, a falta de comprometimento, de vontade de mudar, leva tentativas de grandes eventos ao fracasso, fiasco. E mais uma vez, nossos queridíssimos políticos riem da nossa cara.
A liberdade conquistada nos aprisionou na ignorância, queria entender como, mas nos aprisionou.



~♥ ŦคЪเ єммєяเcђ ♥~

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Aquelas Coisas

O tempo passa, e ainda espero coisas que ficaram para trás.
Espero aquele doce romântico que me fez apaixonar.
Aquele momento, no meio daquela reunião estressante, que você dava um jeito de sair, alegando que iria ao banheiro, e me ligava e dizia que estava com saudades e pensando em mim.
Aquelas ligações espontâneas só para ouvir minha voz e dizer que me ama.
Aquela sua pergunta quando estávamos deitados para dormir "Para que lado você está?" e em seguida deitar para a mesma direção, para dormir de conchinha, uma conchinha imaginária, mas que era quase real.
Aquele abraço que era quase possível sentir.
Aquela atenção redobrada.
Aquela canção de ninar ou as canções que você cantava no meu ouvido.
Aquele "Linda" espontâneo que me fazia perguntar "o que foi?" e eu ouvia como resposta "Nada, não posso te chamar de linda?". Ou aquele "Gostosa pra caralho" que me arrepiava toda.
Aqueles vários elogios. As músicas que você ouvia ou que tocava na sua cabeça e te faziam lembrar de mim. Será que não ouve mais? Ou será que não te fazem mais lembrar de mim?
Aquelas suas ligações, para dizer onde estava ou o que estava fazendo, para me dar satisfação, as vezes sem necessidade, só para não me deixar preocupada.
Aquele parar tudo o que está fazendo, mesmo que por alguns instantes, só para me olhar.
Aquele prazer em dormir me ouvindo respirar.
Aqueles planos que fazíamos para o nosso casamento e vida a dois.
As nossas músicas.
Aquelas promessas, aquela surpresa (confesso que esperei por alguma coisa que poderia ser tão simples quanto uma declaração de amor, e que já teria me deixado muito feliz).
Aquelas poesias que você mandava e que, mesmo não tendo sido você quem tivesse escrito, eu sentia como suas palavras.
Aquele largar tudo e todos para ser só meu.
Aquela rapidez para me responder.


~♥ ŦคЪเ єммєяเcђ ♥~

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A Carta Súplica

Estava andando numa estrada muito escura e perigosa. Prestava atenção em tudo ao meu redor. Virei à esquerda, me deparei com um vale lindo, tão maravilhoso que me tirava o ar. Encantada, olhava tudo à minha volta: as árvores, as flores, o céu. Nesta hora eu caí. Não percebi, deixei minhas defesas em baixa, com todo o encanto da minha visão. Todos os meus sentidos estavam destinados ao lugar mais maravilhoso em que jamais havia me encontrado. Não percebi aquele pequeno buraco em meu caminho e caí. Ferida, tentei gritar, tentei subir. Minhas forças foram se acabando e aqui estou. Já não vejo a luz do dia, sinto fome e sede. Os cheiros que sinto, são somente os cheiros da terra, desta terra que já me sujou até a alma. Sozinha, cada vez mais sozinha e sem forças para, sequer, gritar. Dou meu ultimo grito e espero ser ouvida. É a última vez, não aguento mais. Desisto! Agora só espero. Se alguém me procurar, me encontrará, depois da estrada mais escura, no meio do mais lindo vale. Caminhe sem vislumbrar a paisagem, olhe para o chão para me achar. Não sei se neste local só há um ou vários buracos, então tome cuidado. Você já não ouvirá meus gritos de socorro, mas se me procurar, me encontrará.

~♥ ŦคЪเ єммєяเcђ ♥~

Inalcançável

E a distância? Cada vez aumenta mais. Não sei se o problema são meus olhos. Se meu pessimismo ou se a ausência. Mas sinto que a necessidade de ter alguém perto, cada vez aumenta mais. Não sei quanto tempo poderei aguentar antes de enlouquecer. Cada dia que passa, o computador se torna mais frio. Cada dia que passa sua presença virtual menos basta. Cada momento longe de você, um martírio. E com cada dor, morro um pouco mais. Sei bem quando eu poderei ressuscitar, sei quando poderei reviver. Naquele momento em que o meu príncipe encantado aparecer ao meu lado. Eu ali, jazendo em meio a dor e seu beijo doce de amor. Só você, anjo, pode arrancar de mim o meu sofrer e a minha solidão. Esta solidão que sinto cada vez maior. Porque preciso de você junto a mim. Porque já não é mais um simples querer, é vontade de passar a vida inteira com você. Ao seu lado, em meio aos seus carinhos e beijos, caminhando de mãos dadas, respirando o seu sorriso, sendo aquecida pelo calor do seu abraço, entorpecida pelo prazer da sua companhia e do seu amor. É disto que preciso, é disto que necessito para continuar caminhando. Te ter ao meu alcance, porque eu, eu não aguento mais te ter como estrela inalcançável, meu sublime anjo. Se soubesse que eu posso morrer por você...

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Antes de Julgar, Tente Entender




Hoje eu quero falar de algo sério.

Conheço muitas pessoas que não conseguem entender a depressão. Nunca tiveram e julgam, atiram pedras como se estar em depressão fosse uma opção. Ou mesmo, como se ela se tratasse apenas de um momento de tristeza em que o "portador" faz um drama maior do que o necessário. Eu gostaria de tentar ilustrar um pouco isto, acho que quem já teve ou tem, vai concordar comigo. Vou fazer uma analogia clássica com um poço. Vamos falar de um personagem fictício, Patrícia.




Imagine aquele poço igual aos de filmes, feito com pedras, com um suporte de madeira e uma roldana com uma corda com uma ponta bem amarrada e enrolada, e a outra ponta presa a um balde. Este poço faz parte da vida de Patrícia. Ela é jovem, e quem olha de fora, diz que ela tem de tudo para ser feliz e bem sucedida. Ela até via isto, até que, em algum momento, um acontecimento abalou Patrícia e, desnorteada, ela acabou caindo dentro do poço e se agarrando, por reflexo, na corda com o balde.
Não parecia difícil sair dali pois não havia caído tão fundo, a roldana parecia estar presa, pois não descia com seu peso. Sozinha, ela tentou subir pela corda, e enquanto fazia força para subir, a roldana deu uma destravada e desenrolava a corda quanto mais ela tentasse subir. Ela pensou em agarrar nas pedras da parede do poço para subir, então sacudiu-se até encostar na parede mas ele era antigo e acumulou lodo que o deixou escorregadio, e com esta sacudida, a engrenagem destravou mais um pouco.
  Ela parou e olhou em volta, reparou que não havia caído tanto, mas o poço parecia ser bastante fundo pois não enxergava nada lá embaixo, sequer sabia se havia água. Pensou em gritar e pedir ajuda, mas sentiu vergonha porque as pessoas lhe perguntariam como ela havia caído ali e nem ela entendia muito bem. O tempo foi passando e ali, e ela resolveu tentar subir outra vez, mesmo que não fosse adiantar, só para tentar, neste momento a roldana destravou por completo, ela se agarrou mais ainda à corda, torcendo para que estivesse bem presa. Enquanto caía, pensava em sua família, seus amigos, pensava no quanto queria sair dali. Até que a queda parou bruscamente fazendo com que quase se soltasse. Ela notou que não havia encontrado água ainda, não sabia o quão mais profundo poderia cair. Devido ao impacto, a corda começou a desfiar em determinado ponto, mas ela ainda não havia percebido isto. 
Patrícia se encontrava quase no fundo do poço, agarrada a uma corda que arrebentaria a qualquer momento. Olhava para baixo e não enxergava nada, olhava para o alto e via um ponto de luz bem pequeno la em cima. Durante a queda, havia batido contra a parede algumas vezes. Encontrava-se fraca, machucada, triste e com medo. Gritava muito e conseguia ouvir a própria voz ecoando alto, mas sentia que ninguém a escutava.
Quanto mais o tempo passava, mais pensava em desistir, mais pensava que as outras pessoas não se importaria e menos se importava com o que as outras pessoas sentiriam. De repente a corda cedeu bastante e ficou por um fio. Ela sentiu que se moveu, chegou a ter esperança que alguém a havia ouvido e mexeu na corda, mas foi ilusão. Sentia que o fim estava perto, sentia que logo iria romper o único vínculo que a mantinha presa ao mundo exterior. Não sabia se queria ou não, estava dominada pela confusão. Queria que tudo acabasse logo.

Bem, eu termino minha história por aqui e agora vou tentar explicar um pouco. Como já havia dito, o poço é a depressão, lembrando que depressão não é um lugar em que queremos estar, não é um lugar que reconhecemos que estamos de forma tão fácil. É uma doença que pode levar à morte e que é tratada com remédios e as terapias servem como aditivo para supervisão e controle do estado do paciente ou simplesmente como tratamento isolado.

Por ser algo dificil de reconhecer, quem está no estágio inicial acha que é uma tristeza passageira, um problema que logo será resolvido, uma fase. E, por isso, não acha necessário pedir ajuda. Ele não sabe que está doente e que seria muito mais fácil se já tivesse ajuda. No geral, as tentativas de se libertar sozinho acabam sendo vãs, e ele termina por cair ainda mais. Quanto mais tempo passa, mais ele se afunda na depressão e perde força para lutar sozinho. Algumas vezes, passa um bom tempo sem perceber toda a complexidade e sequer aceita que pode estar doente. Sem notar, acontece exatamente como na história, os vínculos que o mantém preso à vida vão se desmanchando, ele começa a não se importar com coisas normais da vida como comer, beber, tomar banho, escovar dentes. Está preso num lugar que é só ele e suas lembranças. Um lugar escuro que em nada lembra o mundo físico. E, como se uma força maior quisesse isso, ele se isola mais e mais. Quanto mais fundo ele está, menos ele se importa. E quando ele se cansa de viver daquele jeito desprezível é quando ele deixa de se importar com qualquer outra pessoa. A desistência não é por covardia, é por cansaço.

Quem gostaria de uma vida assim? Alguns depressivos conseguem levar por bastante tempo, outros são mais fracos para aguentar tanta pressão. A cabeça do depressivo dá um nó. E tudo o que ele ouve em volta é que é besteira, que ele é covarde e cada vez ouve mais coisas que o depreciam ainda mais e fazem seu estado piorar. Você, que não tem e nunca teve, pare de julgar! Você não precisa entender como o seu amigo, familiar ou conhecido chegou nesta situação. Você não critica a pessoa que tem câncer mas critica a que tem depressão? As duas são doenças e as duas precisam de tratamento. Muitas vezes, os tratamentos e cuidados são para o resto da vida. E se você acha que nunca aconteceu e nunca vai acontecer com você, se você acha que nunca chegará a tentar ou dar fim na própria vida, porque vocÊ é uma pessoa superanimada, super de alto-astral, enfim, e que se chegasse a cair neste pocinho, iria perceber e pedir logo ajuda, deixa eu te contar um segredo, espero que você nunca passe sequer perto deste pocinho, mas se estiver nele, eu duvido que o seu orgulho, o seu egoísmo e seu egocentrismo te permitam pedir ajuda ou sair sozinho. Eu duvido sequer que será tão fácil perceber quanto parece, por quem está de fora.

Então, agora que nada aconteceu e que, espero, nada aconteça com você, se não conseguir doar palavras de gentileza, de força ou apoio, se não tiver paciência para lidar com um depressivo nem de ficar ouvindo, não o deprima, pare de o acusar, ajude-o calando-se. Se não é para ajudar o depressivo a sair de dentro do próprio mundo em que se afogou, não o afogue mais. Tenha consciência.

Nota: Me desculpe se eu fui rude ou exagerada em alguma coisa, mas certos comentários que eu ouço por aí, me indignam demais. Não é uma questão de estar se fazendo de vítima, é uma tentativa de fazer estes julgamentos pararem ou diminuírem.

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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Anseios Noturnos

      Que vontade de deitar no seu colo esta noite, te abraçar bem forte, sentir o calor do teu corpo e adormecer, como o anjo que sou, com o anjo que és. E antes de ceder a tentação do sono, olhar nos teus olhos e pedir para que não me soltes durante a noite.
      E nos teus braços ir às nuvens, em lindos sonhos de amor, até a manhã chegar, me iluminar, me aquecer. E ao chegar meu despertar te ver tão junto a mim e saber que te esforçaste, que estiveste ali comigo toda a noite, me dando toda a paz e segurança de que precisava para um sonho tranquilo e uma noite feliz.
      Saudades disto, saudades de você.

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